| Edição: 76 - Ano 06 |
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O Assunto é... |
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CONTRATE GENTE INTELIGENTE |
CONTRATE GENTE INTELIGENTE - Jornal Construção & Cia
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| Quando fui diretor de comunicação
do Bamerindus,
vivia dizendo aos meus auxiliares:
“É preciso mostrar
que existe vida inteligente
aqui na Rua Mauá, 33.” -
endereço da sede da empresa.
Era a minha maneira
de estimular a equipe a
pensar por conta própria e a não
me trazer problemas que eles próprios
deveriam resolver. Acredito
que a fórmula deu certo, os trabalhos
realizados por aquela equipe
repercutem até hoje e vejo
muito dos meus antigos colaboradores
em altos cargos empresariais.
Mudei para O Boticário e carreguei
o mesmo procedimento -
“Precisamos provar que existe vida
inteligente... blá, blá, blá.”
Esses dias, conversando com um
empresário e sua diretora de RH,
o assunto versou sobre recrutamento
e seleção. Eles haviam
chegado à seguinte conclusão:
“Daqui para frente, só iremos contratar
gente inteligente, do boy
aos cargos de diretoria.” O presidente
da empresa arrematou:
“Não adianta o candidato chegar
com muitos cursos, mestrado, pósgraduação
e formação acadêmica
no exterior que se ele não for inteligente,
não entra.” Lembrei que
na mesma empresa, um ano antes,
num exercício em workshop
percebi um funcionário, humilde,
mas se destacando dos demais nos
exercícios pela sua sagacidade na
proposição e resolução de problemas.
Perguntei a esse mesmo empresário,
quem era aquele? - Ele
me disse: “Um operário da linha
de produção.” Rebati: “Fique de
olho nele, esse cara é bom”.
Meses mais tarde fiquei sabendo
que esse funcionário havia criado
coragem e solicitado uma conversa
com o presidente. Trazia
uma série de idéias de como aumentar
a eficiência do seu trabalho
e setor e que não aguentava
mais ficar ouvindo baboseira de
projetos que não terminavam nunca,
da refação de trabalhos e da
sobreposição de tarefas. O presidente
pacientemente ouviu as
ideias, acho-as boas e mandou-o
colocá-las em execução o que
melhorou substancialmente o fluxograma
da empresa trazendo economia
de tempo e dinheiro. Hoje,
este operário, ocupa um cargo
melhor e desempenha bem o seu
papel, apesar da sua carência de
formação. Mas como homem inteligente,
já se matriculou em uma
faculdade. A empresa está ajudando.
Ele percebeu que a inteligência
sozinha não é nada, que o trabalho,
sozinho, também não é nada,
mas que somados podem tudo.
O que muitas vezes acontece,
não é a falta de inteligência, mas
a preguiça de pensar e o fato de
não querer trazer para o ambiente
empresarial toda a
potencialidade que se possui. O
colaborador pode ser inteligente
e criativo fora da empresa, nas
na hora das trocas de salário por
capacidade fica no débito. Muitas
vezes a culpa é da própria empresa
que só faz travar o processo
criativo e o livre pensar do seus
funcionários. Ambiente em que só
os diretores e gerentes podem ter
ideias está condenado a ter poucas
e péssimas. O pensar e o agir
criativo é que fazem as coisas.
Gente inteligente gosta de trabalhar
com outros da mesma espécie.
É estimulante e desafiante
fazer parte de uma equipe que
sabe pensar. A turma pode ser altamente
competitiva, mas vibra
quando as boas ideias aparecem.
É assim que se formaram as grandes
equipes criativas, aquelas que
mudaram o mundo. Um inteligente
foi atraindo o outro, que foi atraindo
o outro e em breve o ambiente
estava brilhando e carregado de
boas energias. Quer melhor exemplo
do que a turma do Steve Jobs?
Faça como a Apple e como esse
meu cliente - pense diferente - só
contrate gente inteligente.
E já que estamos em tempos de
futebol, o que um time precisa é
de jogadores pensadores e não de
carregadores de bola. Aproveite a
Copa e observe os craques jogando,
eles param por milésimos de
segundos, pensam e só depois é
que disparam seus passes ou chutam
em direção ao gol. Craque é
craque porque sabe pensar. |
Eloi Zanetti Consultor/palestrante em marketing/comunicação
eloi@eloizanetti.com.br www.eloizanetti.com.br blogs.abril.com.br/eloizanetti |
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